O pão e circo da Rua Princesa Isabel
Promessas vazias, entregas duvidosas e uma gestão perdida. É o Santos do toma lá me dá cá.
O Santos de hoje é uma bagunça. Clube desorganizado dentro e principalmente fora de campo, a instituição tornou-se um local onde o principal desde sua criação – o futebol, está em segundo plano há pelo menos cinco anos.
Desde o conturbado processo de impeachment do então presidente José Carlos Peres, a parte administrativa do clube voltou a ser motivo de luta pelo poder e o controle do clube. Não vou alongar o mérito do processo, mas nesta semana cheguei a esta conclusão. Se tudo de negativo que vem acontecendo com o Santos nestes últimos anos, a sensação é a de que o ponto de partida foi ali.
Coisas impossíveis passaram a acontecer no clube – e quando me refiro a isso, começo pelas sucessivas temporadas brigando para não ser rebaixado no Campeonato Paulista, algo impensável e no Brasileirão, onde infelizmente o pior aconteceu e o Santos entrou para lista dos grandes clubes que foram rebaixados.
A destruição da marca é outro ponto que é inadmissível. Ninguém consegue fazer com que o Santos trabalhe o seu nome que é conhecido em todo o mundo algo financeiramente rentável ao cofre Santista. Nada, absolutamente nada é feito de forma efetiva e permanente para que esse emblema se transforme em renda.
O atual momento do clube é comparado à política do “pão e circo” do Império Romano que distribuía alimentos ao povo pobre e criava eventos e espetáculos públicos mantendo a população de barriga cheia e entretida.
No Santos, distribuem-se cargos e brindes no lugar do alimento e o entretenimento são as viagens com a delegação e o trânsito livre pelas dependências do clube, onde os amigos dos amigos estão sempre em primeiro lugar. Pessoas de capacidade profissional limitada ou inexistente para ocupar funções primordiais como por exemplo, montar um elenco de futebol.
Não há clube de futebol no mundo nos dias atuais que consiga sobreviver com um modo de operação que o Santos tem atualmente. Nada parece ser feito pelo e para o clube, mas é sempre usando o nome em favor ou em favor de ou muitos.
O hoje é isso. Um amanhã, não existe. Dívidas impagáveis, salários e outros vencimentos atrasados e um modus operandi onde o nome do Neymar é sempre usado para cobrir, apagar ou tirar o foco de um time que não tem padrão de jogo e um clube onde a gestão é temerária e não sabe o que está fazendo.
Pão e circo. Presentes e entretenimento. O imperador Otávio Augusto de hoje é Marcelo Teixeira. E o poeta Juvenal somos todos nós Santistas que reclamamos, cobramos e apontamos os problemas que são acobertados e defendidos por aqueles que hoje representam o povo romano recebendo “presentes” dos que mandam para falar e mostrar que tudo está bem e nada de ruim vai acontecer.
André Mendes – Jornalista – MTb 35.270
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